18 de mar de 2013

A educação de jovens e adultos no Brasil: trajetórias históricas e pedagógicas

RESUMO Através deste artigo, objetivamos analisar a Educação de Jovens e Adultos no Brasil, enfatizando sua trajetória histórica e pedagógica. Iniciamos o estudo colocando em discussão a Educação de Jovens e Adultos no Sistema Educacional Brasileiro e a formação de professores para o EJA.

Este estudo tem como referência metodológica a pesquisa bibliográfica. É necessário que tenhamos uma idéia de que a Educação de Jovens e Adultos constitui uma estratégia política muito importante para o desenvolvimento social e para a inclusão de um segmento da população no processo econômico vigente. Apoiado em autores como Freire (1996), Cavalcante (2000) e Gadotti (2003), foi possível entender alguns fatores que podem contribuir para que seja elevado o nível de aprendizagem na Educação de Jovens e Adultos. Todos esses questionamentos devem partir de uma leitura de mundo, na busca de perceber as necessidades e os instrumentos que os alunos devem dominar para conhecer sua realidade e perceber-se como sujeito dessa realidade para, de forma consciente, interagir enquanto sujeito, dentro de uma sociedade que está continuamente em transformação.

PALAVRAS-CHAVE: Alfabetização. Educação. Jovens e Adultos. CEJA.


INTRODUÇÃO

A ideia de pesquisar sobre a Educação de Jovens e Adultos no Brasil, surgiu a partir da participação no II Congresso de Educação de Irauçuba, onde uma das pautas foi "Jovens: Educação e Cidadania", realizado pela Secretaria de Educação de Irauçuba, em julho de 2009.
O Congresso levou os professores a refletir sobre suas práticas educacionais e abordou temas voltados para uma contextualização com o semi-árido, de onde vêm 70% dos estudantes do Município. Assim, motivada pela riqueza dos questionamentos que surgiram nesse evento, surgiu o pensamento de pesquisar sobre assuntos relacionados a essa temática.
Mediante pesquisas realizadas, objetiva-se avaliar a aplicação de novas metodologias no ensino de jovens e adultos e colaborar para as práticas pedagógicas contextualizadas, influenciando educadores, políticos e interessados pela causa da Educação de Jovens e Adultos.
A realização deste trabalho constitui-se, para o pesquisador, na mais significativa forma de vivenciar a problemática da aplicação de uma educação contextualizada para jovens e adultos.
Esperamos que esta pesquisa possa contribuir para a crença de que a Educação de Jovens e Adultos, além de necessária, é profundamente significativa na aquisição da leitura e da escrita, e que os educadores venham a ter por esta modalidade de ensino um maior interesse e uma capacitação mais sólida, capaz de possibilitar uma docência comprometida com um novo cenário educacional alfabetizador.


A EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NO BRASIL: TRAJETÓRIAS HISTÓRICAS E PEDAGÓGICAS

Refletir, pensar e avaliar o papel da escola é uma necessidade imperativa[1] num mundo dominado pela força do mercado e das mídias. As escolas, tanto de nível fundamental como médio, têm sido fortemente questionadas e avaliadas quando a sua capacidade de educar, de preparar o aluno para o vestibular e para o mercado de trabalho, respectivamente.
Apesar de reconhecermos que a escola tem uma função profissional e econômica, não podemos deixar de enfatizar que ela tem, também, funções sociais, científicas e culturais. A escola existe para preservar heranças e valores culturais e para aperfeiçoar a natureza humana.
As pessoas são educadas não meramente para aprender a operar equipamentos e para serem produtivas economicamente, mas para serem seres humanos melhores, mais livres, autônomos e hábeis para julgar, a partir da diversidade de conhecimentos que a leitura oferece, suas diversas dimensões interpretativas.
Este capítulo versará sobre a trajetória da educação de jovens e adultos no Brasil para, no decorrer da pesquisa, entendermos as diferentes metodologias adotadas no EJA no que se refere às atividades ligadas à leitura e escrita.


A Educação de Jovens e Adultos no Sistema Educacional Brasileiro

Para entendermos melhor os mecanismos que envolvem a Educação de Jovens e Adultos, faremos uma breve contextualização histórica da Educação de Jovens e Adultos, doravante denominada pela sigla EJA, e, posteriormente, será feita uma análise mais densa e detalhada sobre a aprendizagem e o nível de leitura que se dá nessa modalidade de ensino.
Na década de 30 a educação de adultos começa a delimitar seu lugar na história da educação no Brasil, quando finalmente começa a se consolidar um sistema público de educação elementar no país. Neste período, a sociedade brasileira passava por grandes transformações, associadas ao processo de industrialização e concentração populacional em centros urbanos.
A oferta de ensino básico gratuito estendia-se consideravelmente, acolhendo setores sociais cada vez mais diversos. A ampliação da educação elementar foi impulsionada pelo governo federal, que traçava diretrizes educacionais para todo o país, determinando as responsabilidades dos Estados e Municípios.
Durante a década de 40 ampliou-se a educação elementar, inclusive da educação de jovens e adultos. Nesse período, a educação de adultos toma a forma de Campanha Nacional de Massa. Pretendia-se, numa primeira etapa, uma ação extensiva que previa a alfabetização em três meses, e mais a condensação do curso primário em dois períodos de sete meses. Depois, seguiria uma etapa de "ação em profundidade", voltada à capacitação profissional e ao desenvolvimento comunitário.
Num curto período de tempo, foram criadas várias escolas supletivas, mobilizando esforços das diversas esferas administrativas, de profissionais e voluntários. O clima de entusiasmo começou a diminuir na década de 50. Iniciativas voltadas à ação comunitária em zonas rurais não tiveram o mesmo sucesso e a campanha se ex­tinguiu antes do final da década. Ainda assim, sobreviveu a rede de ensino supletivo por meio dela implantada, assumida pelos Estados e Municípios.
O Primeiro Guia de Leitura, distribuído pelo Ministério da Educação em larga escala para as escolas supletivas do país, orientava o ensino pelo método silábico. As lições partiam de palavras-chave selecionadas e or­ganizadas segundo suas características fonéticas. A função dessas palavras era remeter aos padrões silábicos, estes sim o foco do estudo. As sílabas deveriam ser memorizadas e remontadas para formar outras palavras.
As primeiras lições também continham pequenas frases montadas com as mesmas sílabas. Nas lições finais, as frases compunham pequenos textos contendo orientações sobre preservação da saúde, técnicas simples de trabalho e mensagens de moral e civismo.
Na década de 50  a Campanha entrou em decadência por conta das críticas dirigidas tanto às suas deficiências administrativas e financeiras, quanto à sua orientação pedagógica.
Durante a década de 60 o pensamento de Paulo Freire, assim como sua proposta para a Alfabetização de Adultos, inspira os principais programas de alfabetização do país. A esse respeito, vejamos a análise de Gadotti (2003, p. 22):
Esses programas foram empreendidos por intelectuais, estudantes e católicos engajados numa ação política junto aos grupos populares. Desenvolvendo e aplicando essas novas diretrizes, atuaram os educadores do MEB – Movimento de Educação de Base, ligado à CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Bra­sil, dos CPCs – Centros de Cultura Popular, organizados pela UNE  – União Nacional dos Estudantes, dos Movimentos de Cultura Popular, que reuniam artistas e intelectuais e tinham apoio de administrações municipais.
Esses diversos grupos de educadores foram se articulando e passaram a pressionar o Governo Federal para que os apoiasse e estabelecesse uma coordenação nacional das iniciativas.
Em janeiro de 1964, foi aprovado o Plano Nacional de Alfabetização, que previa a disseminação por todo Brasil de programas de alfabetização orientados pela proposta de Paulo Freire. A preparação do plano, com forte engajamento de estudantes, sindicatos e diversos grupos estimulados pela efervescência política da época, seria interrompida alguns meses depois pelo golpe militar.
Em 1967 o governo assume o controle dos Programas de Alfabetização de Adultos, tornando-os assistencialistas e conservadores. Nesse período lançou-se o MOBRAL – Movimento Brasileiro de Alfabetização.
Na década de 70  o MOBRAL expandiu-se por todo o território nacional, diversificando sua atuação. Das iniciativas que derivaram desse programa, o mais importante foi o Programa de Educação Integrada – PEI, sendo uma forma condensada do antigo curso primário.
Em 1985 o MOBRAL, desacreditado, foi extinto e seu lugar foi ocupado pela Fundação Educar, que apoiava, financeira e tecnicamente, as iniciativas do governo, das entidades civis e das empresas.
Na década de 90, com a extinção da Fundação Educar, criou-se um enorme vazio na Educação de Jovens e Adultos. Alguns Estados e Municípios assumiram a responsabilidade de oferecer programas de Educação de Jovens e Adultos. A história da Educação de Jovens e Adultos no Brasil chega à década de 90 reclamando reformulações pedagógicas.
Em 1998 a Lei de Diretrizes e Bases da Educação – LDB 9394/96, dedica dois artigos (Arts. 37 e 38), no Capítulo da Educação Básica, Seção V, para reafirmar a obrigatoriedade e a gratuidade da oferta da educação para todos que não tiveram acesso na idade própria.
Em 2000, sob a coordenação do Conselheiro Carlos Roberto Jamil Cury, é aprovado o Parecer nº 11/2000 – CEB/CNE, que trata das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação de Jovens e Adultos. Também foi homologada a Resolução nº 01/00 – CNE. Em Mato Grosso, foi homologada a Resolução nº 180/2000 – CEE/MT, que aprovou o Programa de EJA para as escolas do Estado, a partir de 2002.


Postulados da política de Educação de Jovens e Adultos

A LDB (Lei de Diretrizes e Bases) nº 9.394/96 no que se refere à Educação de Jovens e Adultos em seu Artigo 3º determina dentre os princípios que devem servir de base ao seu ensino os seguintes:
Igualdade de condições para o acesso e permanência na escola [...] Pluralidade de idéias e de concepções pedagógicas, [...] garantia de padrão  de  qualidade,  [...] valorização  da experiência extra-escolar, [...] vinculação entre a educação escolar, o trabalho e às práticas sociais.
A referida Lei, em seu artigo 37º assim se expressa: "a educação de jovens e adultos será destinada àqueles que não tiverem acesso ou continuidade de estudos no Ensino Fundamental e Médio na idade própria".
Como vimos anteriormente, o pensamento de Paulo Freire, assim como sua proposta para a alfabetização de adultos, inspirou os principais programas de alfabetização do país.
O educador Paulo Freire introduz Pedagogia da Autonomia (1996, p. 15) explicando suas razões para analisar a prática pedagógica do professor em relação à autonomia de ser e de saber do educando. Enfatiza a necessidade de respeito ao conhecimento que o aluno traz para a escola, visto ser ele um sujeito social e histórico, e da compreensão de que: "[...] Formar é muito mais do que puramente treinar o educando no desempenho de destrezas".
O método Paulo Freire adotado na alfabetização de jovens e adultos facilita bastante a sua aprendizagem, devido desenvolver o caráter político e conscientizador da realidade nos educandos, porque trabalha com o cotidiano, em situações já vivenciadas e formas diferentes de entender e questionar certas ações da vida diária. Sobre tal assertiva, a análise abaixo nos parece bastante esclarecedora:
Os adultos têm experiências de vida mais numerosas e mais diversificadas que as crianças. Isto significa que, quando formam grupos, estes são mais heterogêneos em conhecimentos, necessidades, interesses e objetivos. Por outro lado, uma rica fonte de consulta estará presente no somatório das experiências dos participantes. Esta fonte poderá ser explorada através de métodos experiências (que exijam o uso das experiências dos participantes), como discussões de grupo, exercícios de simulação, aprendizagem baseada em problemas e discussões de casos. (CAVALCANTI. 2000. p. 22).
A partir dessa análise, entendemos que não podemos chamar de "ignorante" ou "analfabeto" o adulto que não tem os conhecimentos que vem do livro didático. As pessoas têm experiências de vida e conhecimentos adquiridos no convívio com a natureza:
Sabem curar suas enfermidades utilizando as plantas; conhecem a lua certa para cortar a madeira; são capazes de prever o próprio tempo observando experiências que passam de pais para filhos; sabem utilizar vegetais (cactos) que se adaptam ao semi-árido para alimentar os animais durante a seca. (BRAGA. 2004, p. 28).
Percebemos que o ensino não depende exclusivamente do professor, assim como aprendizagem não é algo apenas de aluno. Justifica assim o pensamento de que o professor não é superior, melhor ou mais inteligente, porque domina conhecimentos que o educando ainda não domina, mas é, como o aluno, participante do mesmo processo da construção da aprendizagem.
Essa construção da aprendizagem, esse pesquisar, buscar e compreender criticamente só ocorrerá se o professor souber pensar. Para Freire (1996), saber pensar é duvidar de suas próprias certezas, questionar suas verdades. Vejamos, através da análise do autor, essa dinâmica de saber pensar que deve caracterizar o professor:
Se o docente faz isso, terá facilidade de desenvolver em seus alunos o mesmo espírito. O professor que pensa certo deixa transparecer aos educandos que uma das belezas de nossa maneira de estar no mundo e com o mundo, como seres históricos, é a capacidade de intervindo no mundo, conhecer o mundo.[...] Ensinar, aprender e pesquisar lidam com dois momentos: o em que se aprende o conhecimento já existente e o em que se trabalha a produção do conhecimento ainda não existente. (FREIRE. 1996. p.31).
Nesse sentido, entendemos que ensinar e aprender são processos que não se limitam apenas a conteúdos de livros didáticos, mas também enriquece nossa vida com as experiências do cotidiano e com a riqueza de nossa cultura.


Formação de Professores para EJA

Antes, para ser um bom professor, era bastante saber transmitir conhecimentos e exercer autoridade em sala de aula. Atualmente, o perfil do "bom professor" mudou. Com relação ao conhecimento, ele não deve mais apenas transmiti-lo. Isto fica por conta dos livros. Sua missão agora é a de instigar o aluno, jogar os problemas para que ele mesmo os resolva e, assim, levá-lo a desenvolver a criatividade e o senso crítico. Esse mecanismo da instigação e da interação com os alunos é abordado com muita propriedade na assertiva abaixo:
Ao professor cabe facilitar a aprendizagem para o aluno, pois é este quem aprende. Como a aprendizagem não é apenas cognitiva, valores, sentimentos e atitudes são aprendidos. O professor, através da interação com os alunos, pode modificar seus próprios valores. (WILD, 2002. p. 30).
Além dessas características, o professor tem que estar muito bem informado. Não se exige mais um conhecimento enciclopédico. Entretanto, ele deve manter-se ligado a toda e qualquer informação. Todo o processo de mudança social ou tecnológica tem que ser incorporado e o professor tem que ter condições de fazer isso. Se ele tiver ocupado o tempo todo em dar aulas porque precisa sobreviver, vai ter dificuldade para se atualizar. Então é preciso que se dêem as condições e se crie a disponibilidade para isso.
Geralmente, o bom professor deve apresentar as seguintes qualidades: a) Não falta ao trabalho; b) Não desiste de nenhum estudante; c) Concentra-se na aprendizagem dos alunos; d) Planeja as aulas; e) Mantém uma boa relação com as famílias; f) Ensina os alunos a estudar; g) Aprimora seus conhecimentos.
Hoje, a formação de professores não se dá de maneira restrita como há alguns anos atrás. Durante muito tempo, as pessoas gastavam uma meia dúzia de anos na formação básica, mais uns quatro anos numa faculdade – quando chegavam lá – e pronto, não precisavam mais estudar. Cada um começava uma carreira profissional para os 30 ou 40 anos seguintes.
Hoje vivemos outra realidade. Nunca houve tanta informação, tão rápida e tão disponível para tanta gente. Depois da internet, nos tornamos seres "informívoros".[2]
Nesse admirável mundo que cabe na tela do computador, mesmo as instituições mais enraizadas sofreram abalos. Antigamente a escola tinha a oferecer toda uma bagagem de conhecimentos que não podia ser adquirida de outra forma, e que era repassado quase que unicamente pelo professor. Representava um valor único, não só do ponto de vista dos conteúdos, mas também de ascensão social. Hoje a escola perdeu esse lugar e não pode mais ser considerada a única fonte de conhecimentos que, anteriormente, só seriam conquistados lá.
Se a escola mudou, os alunos também e consequentemente o professor deve também mudar. O jovem de hoje é mais curioso e interessado do que antigamente. Por ser menos ingênuo, ele questiona o professor. A maior oferta de informação também faz com que ele crie um percurso próprio na aquisição do conhecimento.
Se a escola e os alunos mudaram, obviamente os professores seguem, ou deveriam seguir, o mesmo caminho. São grandes os desafios que o profissional docente enfrenta, mas manter-se atualizado e desenvolver práticas pedagógicas eficientes são os principais.
Hoje, fala-se muito em formação continuada para professores. A formação continuada tem, entre outros objetivos, propor novas metodologias e colocar os profissionais a par das discussões teóricas atuais, com a intenção de contribuir para as mudanças que se fazem necessárias para a melhoria da ação pedagógica na escola e consequentemente da educação.
É certo que conhecer novas teorias e novas metodologias faz parte do processo de construção profissional, mas não bastam, se estas não possibilitam ao professor relacioná-las com seu conhecimento prático construído no seu dia-a-dia.
A formação do professor se constitui, atualmente, num dos maiores problemas da educação brasileira. O professor não é um profissional que pode afirmar literalmente "estou graduado". O desenvolvimento profissional não corresponde unicamente ao curso superior.
Uma boa graduação é necessária e importante, mas não é suficiente. É necessário atualizar-se sempre. Isso remete a necessidade da formação continuada no processo da atuação profissional, ou seja, há a necessidade da construção do saber, no processo de atuação profissional. Lamentavelmente, a maioria dos professores ainda está distante desse processo.
No que se refere à formação de professores para a Educação de Jovens e Adultos – EJA, percebemos que há uma carência de profissionais realmente habilitados nessa área para atender a essa demanda que tem características bem peculiares: jovens e adultos que não tiveram a oportunidade de estudar por motivos diversos: falta de tempo por conta do trabalho, falta de estímulo dos próprios pais, distancia da residência (zona rural) para a escola, dentre outros.
Sobre a importância de profissionais qualificados e comprometidos com a qualidade do que fazem, vejamos a análise abaixo:
O mercado começa a buscar um novo profissional, um trabalhador polivalente, que tenha raciocínio rápido e seja capaz de adaptar-se às transformações. Busca-se nesse profissional ampla visão da realidade, criatividade, liderança, dinâmica, e, acima de tudo, força de vontade para crescer profissionalmente e um qualificado conhecimento técnico-científico. Todo esse perfil deve fazer parte do currículo das instituições educacionais. (CAVALCANTI, 2000. p. 155).
O profissional que lidará com jovens e/ou adultos que permaneceram muito tempo fora da escola e que não têm a mesma habilidade para leitura e escrita, terá que desenvolver estratégias para despertar nesse aluno o desejo de aprender ou reaprender os conhecimentos que deixaram de ser prioridade por conta do estilo de vida desses jovens e adultos (a maioria vem da zona rural).
Portanto, considerando que a EJA (antigo supletivo) tem a missão de garantir que os recém-alfabetizados não voltem a ser analfabetos, é uma modalidade de ensino que exige – ou deveria exigir – profissionais capacitados especificamente para ensinar adultos, cidadãos que já fracassaram no sistema escolar, com histórias de vida, conhecimentos próprios e que têm pressa para aprender.
Porém, a realidade é outra, o país só tem 14 instituições de ensino superior com cursos que ensinam a atuar em EJA. No Nordeste, onde estão as maiores taxas de analfabetismo, são apenas quatro.
Em alguns Municípios há políticas públicas isoladas que capacitam professores para EJA. Tal iniciativa se dá pela consciência que se tem de que é muito difícil melhorar a qualidade da educação das crianças e jovens se seus pais e irmão não são alfabetizados.
Apesar da importância da EJA, dos seus 301.995 professores no país, 37% deles têm apenas o ensino médio. Entendemos que a formação do professor tem de ser como a do médico ou a do engenheiro, tamanha é a complexidade do trabalho com o ser humano.
O professor realmente qualificado e bem preparado, se constitui numa peça fundamental para diminuir o índice de analfabetismo entre adultos e a evasão, muito comum nas escolas da zona rural.
A evasão nesse segmento é tão alta que chega a ser encarada como natural. Os conteúdos devem ter relação com a vida dos alunos e serem estimulantes, tem-se a obrigação de responder às necessidades e lidar com os problemas pessoais dos alunos, afinal, na maioria dos casos eles sofrem com questões familiares, profissionais, conjugais entre tantas outras. É necessário que o professor, além de um mediador de informações, também seja um estimulador da prática escolar. A análise abaixo nos parece bastante esclarecedora nesse sentido:
A postura do professor e a sua interação com os alunos envolvem outras dimensões de maior profundidade, como a maneira do docente pensar a realidade, seu contexto, suas concepções sobre a vida, o mundo a educação, o modo de encarar tais relações, sua história de vida, os elementos de construção do seu saber pedagógico. (CAVALCANTI, 2000, p. 58).
Nesse sentido, entendemos que, diante do professor há um universo. Cada aluno é um mundo. Apesar de sabermos que amor à profissão e senso de responsabilidade não se adquirem em cursos de graduações, sabemos que é de suma importância à formação dos professores para que a missão de educar seja conduzida com qualidade e respeito aos discentes.


CONSIDERAÇÕES FINAIS

As questões apresentadas neste artigo buscaram refletir sobre a importância da Educação de Jovens e Adultos, considerando que ela se constitui mais do que um espaço de aprendizagem das diferentes disciplinas. Representa também um espaço de inclusão para jovens e adultos que, por motivos diversos, deixaram de freqüentar a escola na faixa etária convencional.
Através da pesquisa bibliográfica apresentada aqui neste artigo, nos foi possível perceber que as práticas pedagógicas adotadas pelo EJA, estão trabalhadas de forma multidisciplinar aos conteúdos, porém de forma limitada no que diz respeito à diversidade de instrumentos que possam proporcionar um melhor acesso do aluno ao conhecimento, tais como: livros com textos mais regionais que retratem a realidade do homem no campo, sala de vídeo para tornar as aulas mais interessantes e uma maior diversidade de livros para pesquisa na biblioteca, entre outros.
É importante ressaltar que o livro didático adotado no CEFEJA, não deve ser deixado de lado, pois acreditamos que o mesmo é um instrumento importante, mas que haja uma interação entre os temas abordados com o saber do educando. Deve-se levar em conta os conhecimentos prévios que cada aluno adquiriu no decorrer de sua existência, e junto com os conteúdos, proporcionar a eles uma compreensão do espaço vivido. para que possam entender o espaço global.
Constatou-se, através do resultado da pesquisa, que os problemas enfrentados pelos alunos da Educação de Jovens e Adultos são decorrentes da condição econômica que os obrigaram a ter que trabalhar no campo durante a infância e que, consequentemente, provocou a defasagem escolar e, consequentemente, as dificuldades de aprendizagem na leitura e na escrita.
Ao concluirmos, esperamos que esse trabalho possa colaborar para as práticas pedagógicas contextualizadas, influenciar educadores, políticos, e interessados pela causa da educação de jovens e adultos.


6  REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BRAGA, Evaristo Lopes. Irauçuba – Um Olhar Sobre o Sertão. Monografia de Graduação (Curso de História - UVA)  2004.

CAVALCANTI, Roberto de Albuquerque. Andragogia: A Aprendizagem nos Adultos. São Paulo: Cortez, 2000.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia. 12ª Ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1996.

GADOTTI, Moacir. Educar é Impregnar de Sentido a Vida. Revista Professor. Ano 1. Nº 2/ Novembro, 2003.

WILD, Bianca de Moura. Interação professor–aluno e trabalho pedagógico. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2002.


[1] Expressa ordem, uma recomendação que deve ser seguida.
[2] Refere-se à pessoa extremamente ávida por informação; que ler muito.



Leia mais em: http://www.webartigos.com/artigos/a-educacao-de-jovens-e-adultos-no-brasil-tragetorias-historicas-e-pedagogicas/29760/#ixzz2NvJ6w1Xg

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